Olá, [Nome].
Provavelmente você sabe quem eu sou pelo título.
Mas eu quero que você me conheça de outro jeito.
Me chamo Lígia. Sou engenheira civil há mais de 30 anos. Nasci e cresci em Rio Claro, interior de São Paulo. Me formei na Escola de Engenharia de Piracicaba numa época em que as turmas eram quase que exclusivamente masculinas — e eu não deixei isso me parar.
Comecei do zero. Aprendi calculando estrutura na mesa da cozinha, visitando obras com sol de rachar, lidando com cliente que muda de ideia na hora em que a laje já foi concretada.
Já ouvi de tudo. Que era mulher demais para a obra. Que o interior era pequeno demais para crescer. Que a carreira de engenheira era bonita, mas difícil de monetizar.
Não acreditei em nenhuma dessas histórias.
Mais de 500 imóveis construídos depois, posso dizer: a engenharia não foi só uma escolha de carreira pra mim. Ela me escolheu.
E foi ela também que me colocou aqui, escrevendo pra você.
Nas próximas semanas, quero conversar de verdade. Não com linguagem de comunicado. Não com formalidades de ofício.
Quero falar sobre o que nenhum edital fala: a realidade do engenheiro que trabalha duro, que estuda, que faz tudo certo — e ainda assim sente que o sistema não reconhece o valor do que ele entrega.
Você vai se identificar. Eu sei, porque eu vivi isso.
Fico te esperando na semana que vem.
Olá, [Nome].
Tem um cheiro específico que me leva direto pra quem eu sou.
É o cheiro de terra molhada, concreto fresco e serragem de madeira.
Cheiro de obra.
Quando eu era jovem, antes de entender totalmente o que era aquilo, eu já sentia que esse ambiente me chamava. Tinha algo na transformação — um terreno vazio virando uma fundação, uma estrutura tomando forma, quatro paredes que um dia vão ser o lar de uma família — que me fazia sentir que estava participando de algo maior do que eu mesma.
Passei décadas nesse ambiente. Trabalhei no interior com todas as dificuldades que isso implica: equipe reduzida, orçamento apertado, prazo impossível, e ainda o desafio de ser levada a sério num campo que, por muito tempo, não esperava ver mulheres.
Mas nunca abri mão da obra. Nunca fui "só técnica", sentada atrás de uma mesa assinando documento.
Eu ia. Eu via. Eu resolvia.
E foi exatamente essa vivência que me deu algo que nenhuma pós-graduação entrega: a capacidade de entender o problema do outro engenheiro porque eu já estive lá.
Hoje, quando um colega me fala sobre a pressão de entregar um projeto no prazo com metade do material planejado, eu não preciso imaginar. Eu lembro.
Quando alguém me conta que está com medo de emitir a ART porque a fiscalização está cada vez mais complicada, eu entendo a angústia. Não como quem leu a legislação. Como quem já suou frio com isso.
É por isso que estou aqui.
Não vim falar de cima. Vim falar do lado.
E na próxima semana, quero te contar de uma época específica da minha carreira que mudou completamente a minha visão sobre o que significa ser engenheira no Brasil.
Olá, [Nome].
Vou ser direta contigo porque acho que você merece isso.
Em 2020, eu recebi um diagnóstico de câncer de mama.
Naquele momento, tudo que eu havia construído — os projetos, os imóveis, a carreira de três décadas, os mandatos em associação — ficou em segundo plano.
O que me salvou foi um exame de imagem. Um equipamento desenvolvido por engenheiros, calibrado por engenheiros, mantido por engenheiros.
A engenharia me salvou.
E eu fiquei pensando muito nisso durante o tratamento. Ficamos tão imersos nas dificuldades cotidianas da profissão — na burocracia, na desvalorização, nos entraves do sistema — que às vezes esquecemos o tamanho do impacto do nosso trabalho.
A engenharia está no hospital que te atende, na ponte que te conecta à cidade, no prédio em que você mora, no sistema de saneamento que te mantém saudável.
Nós construímos o mundo em que as pessoas vivem.
E mesmo fazendo tudo isso, o engenheiro brasileiro ainda luta para ser reconhecido, remunerado e protegido como merece.
Quando me curei, voltei diferente. Com mais clareza sobre o que importa. E com uma certeza que eu carrego até hoje: a classe precisa de quem a represente de dentro. De quem entende o ofício na pele, não só no papel.
Foi esse chamado que me trouxe para onde estou hoje.
Na semana que vem, quero te falar sobre o início da minha trajetória dentro das associações — e o que aprendi que nenhum manual de gestão ensina.
Olá, [Nome].
Tem uma pergunta que às vezes me fazem:
"Lígia, você estava bem na sua carreira, construindo, gerando resultado. Por que entrou pra associação?"
Resposta honesta? Porque eu estava cansada de reclamar sozinha.
Cansada de ver colega sendo prejudicado por concorrência desleal de quem não tinha habilitação. Cansada de ouvir que "a engenharia é difícil" como se isso fosse normal e inevitável. Cansada de sentir que a nossa profissão era invisível para quem deveria nos proteger.
Entrei para a AERC — a Associação dos Engenheiros de Rio Claro — e fiquei dois mandatos na presidência.
Aprendi muito. Mas o que aprendi de mais valioso não foi sobre gestão ou burocracia.
Foi sobre o poder de estar junto.
Quando engenheiros se unem, a voz muda de tom. Deixa de ser reclamação individual e vira pauta coletiva. Deixa de ser queixa e vira proposta. Deixa de ser desabafo e vira mudança.
Você já sentiu que estava lutando sozinho contra um sistema que parece não te enxergar?
Eu já senti isso. E foi exatamente por isso que me movi.
A engenharia me escolheu pra representar ela. Não porque eu sou especial. Mas porque eu nunca parei de acreditar que juntos somos mais fortes.
Nas próximas semanas, quero falar sobre as dores reais da nossa classe. Não as dores do discurso. As que aparecem na segunda-feira de manhã, quando você abre o e-mail e o cliente pediu mais uma revisão de projeto sem querer pagar.
Essas.
Olá, [Nome].
Vou te perguntar uma coisa direta:
Você já assinou uma ART sentindo aquele frio na barriga?
Aquela sensação de "estou fazendo certo, mas e se algo der errado?" Ou pior: já teve alguém te pressionando a assinar por uma obra ou projeto que não era exatamente o que você executaria de verdade?
Não precisa responder. Eu sei que essa realidade existe.
A ART — Anotação de Responsabilidade Técnica — foi criada para proteger o profissional e a sociedade. É um instrumento nobre. Mas ao longo dos anos, ela virou alvo de distorções que prejudicam quem faz certo.
- Tem gente assinando ART de serviço que não executou.
- Tem empresa contratando engenheiro só pra "ter o papel" enquanto leigo executa a obra.
- Tem profissional pressionado por cliente que ameaça buscar "alguém mais barato que assine".
E no final, quando algo dá errado, quem aparece no processo é o engenheiro. Não o cliente. Não quem economizou. O engenheiro.
Isso não é justo. E não é aceitável.
A nossa profissão tem que ser exercida com dignidade e segurança. Não com o medo constante de que um documento que deveria nos proteger vire uma armadilha.
Eu sei que essa dor é real porque ela foi minha também. Construí mais de 500 imóveis e aprendi na prática o que os livros não ensinam sobre a ART na vida real.
Essa é uma batalha que me importa. E quero te ouvir sobre ela.
Você já passou por alguma situação assim? Responde esse email. Levo isso a sério.
Olá, [Nome].
Vou direto ao ponto hoje.
Você trabalhou anos estudando. Pagou faculdade. Fez provas. Garantiu seu registro. Investe em atualização. Emite ART corretamente. Carrega o peso ético e técnico da profissão.
E perde cliente para alguém que não fez nada disso.
Pior: às vezes perde para alguém que está usando um engenheiro como "laranja" — só pra ter o papel enquanto o serviço é executado por quem não tem a mínima qualificação.
Isso tem nome: exercício ilegal da profissão. E é muito mais comum do que deveria.
Já ouvi de muitos colegas a mesma história: cliente que pergunta "mas você não consegue fazer mais barato?" e quando você explica que o preço é justo pelo trabalho qualificado, ele aparece semanas depois com outro "profissional" que cobrou a metade.
Depois, obra com problema. Estrutura comprometida. Família em risco.
E o engenheiro habilitado que perdeu o trabalho fica sem poder fazer nada.
Isso me incomoda profundamente. Porque não é só uma questão de mercado. É uma questão de segurança pública. A engenharia mal executada mata.
A classe precisa se proteger. E precisa de quem grite isso em todos os fóruns possíveis.
Eu grito. Sem vergonha e sem hesitar.
Na semana que vem, quero falar sobre um outro lado dessa mesma moeda — a solidão de quem é autônomo e não tem com quem dividir os desafios do dia a dia.
Olá, [Nome].
Tem uma imagem que eu não consigo tirar da cabeça.
É a imagem do engenheiro autônomo na sexta à noite, com um projeto para entregar na segunda, um cliente que mudou as especificações de última hora, uma planilha que não fecha e a sensação de que não tem ninguém pra ligar.
Não porque não tem amigos. Mas porque às vezes a dor profissional é difícil de explicar pra quem não viveu.
Quem não é engenheiro não entende o peso de uma decisão técnica que vai impactar a vida de outras pessoas. A responsabilidade real, não a do papel — a que você carrega dentro.
Trabalhei por muitos anos assim. Interior de São Paulo, mercado ainda mais enxuto, recursos limitados.
Aprendi a resolver sozinha porque não tinha muita escolha. Mas aprendi também, com o tempo, que a solidão profissional é um dos maiores inimigos do bom trabalho.
Quando você não tem com quem trocar, começa a duvidar das suas próprias decisões. Começa a baixar o preço pra não perder o cliente, mesmo sabendo que vai se arrepender. Começa a aceitar condições que não são justas porque "é o que tem".
Isso não é fraqueza. É o resultado de trabalhar num sistema que historicamente não criou rede de suporte para o profissional técnico.
E isso precisa mudar.
Engenheiro não deveria se sentir sozinho. A profissão é difícil demais pra se carregar sem apoio.
Estou aqui também por isso.
Olá, [Nome].
Se você já trabalhou diretamente com cliente, provavelmente já ouviu alguma variação desta frase:
"Mas é só um projetinho pequeno, não vai demorar muito, né?"
E você respira fundo. Sorri. Explica com paciência o que está por trás daquele "projetinho": horas de levantamento, cálculo estrutural, compatibilização de projetos, responsabilidade técnica, seguro, ART.
O cliente ouve. Balança a cabeça.
E pergunta se você pode dar um desconto.
Essa cena se repetiu tantas vezes na minha carreira que eu poderia escrever um livro só sobre ela.
E o problema não é o cliente mal-intencionado. A maioria não é. O problema é que a sociedade brasileira ainda não foi educada sobre o que é engenharia de verdade. O valor do nosso trabalho é invisível porque o que entregamos é exatamente aquilo que as pessoas não veem: segurança, durabilidade, precisão.
Ninguém aplaude a fundação bem calculada. Ninguém parabeniza o engenheiro cujo prédio não caiu. Só aparece na notícia quando algo dá errado.
Mudar isso é também uma responsabilidade nossa como classe. Não adianta só reclamar internamente. Precisamos mostrar para a sociedade o que o engenheiro faz, o que representa e por que merece ser respeitado e pago adequadamente.
Essa é uma das batalhas que me movem. E quero te contar mais sobre ela nas próximas semanas.
Olá, [Nome].
Essa semana quero te fazer uma pergunta diferente.
Não sobre o projeto que está atrasado, nem sobre o cliente difícil, nem sobre a burocracia que não para de crescer.
Quero te perguntar: que engenharia você quer deixar para quem vem depois de você?
Quando me formei em Piracicaba, não havia muitas mulheres na turma. O mercado era mais fechado, a tecnologia era mais limitada, e o reconhecimento da profissão era ainda mais escasso do que hoje.
Mesmo assim, quem veio antes de mim abriu caminhos. Alguém brigou por cada direito que hoje tomamos como garantido.
Agora é a nossa vez.
Tem jovens engenheiros entrando no mercado com um diploma na mão e uma ansiedade no peito que eu reconheço. Eles precisam de um mercado mais justo, de mais clareza sobre como construir carreira, de proteção contra práticas que desvalorizam a profissão.
E precisam enxergar que essa profissão tem futuro. Que vale a pena. Que quem estuda, faz certo e se dedica vai colher resultado.
Eu acredito nisso. Acredito tanto que dediquei parte da minha vida a construir essa realidade — não só na obra, mas dentro das estruturas que representam a nossa classe.
Porque um dia, um jovem engenheiro vai entrar no mercado e vai encontrar condições melhores do que as que eu encontrei. E quando isso acontecer, vai ser porque muita gente — incluindo você — lutou por isso.
Essa é a engenharia que eu quero deixar.
Qual é a sua?
Olá, [Nome].
No começo da carreira, absorvi uma ideia que acho que a maioria de nós absorve:
Cuidado com quem sabe o que você sabe. Eles podem te roubar o cliente.
Faz sentido na superfície. Mas na prática, essa mentalidade isola. Enfraquece. E, no fim, não protege ninguém.
Aprendi isso de forma concreta quando assumi a presidência da AERC em Rio Claro. De repente eu estava sentada na mesma mesa com colegas que em teoria eram meus concorrentes diretos. E o que descobri foi que os nossos problemas eram idênticos.
O mesmo cliente que pechinchava comigo, pechinchava com eles. A mesma burocracia que me atrasava, os atrasava. O mesmo desprestígio que nos afetava, afetava a todos.
Só que juntos, a voz ficou diferente. Conseguimos encaminhar demandas que individualmente nenhum de nós teria força para mover.
O associativismo não é idealismo. É estratégia.
Quando a classe se organiza, ela negocia melhor. Ocupa espaço. É ouvida onde precisa ser ouvida. Define padrões que protegem todos.
Engenheiro que não se une está deixando na mesa um poder que já é seu por direito.
Não por obrigação. Por inteligência profissional.
Na semana que vem quero falar sobre algo que me toca profundamente: as mulheres que vieram antes de mim, e o que isso significa pra mim e pra qualquer mulher que hoje está numa obra.
Olá, [Nome].
Quando me formei em engenharia civil, era uma das poucas mulheres da turma.
Quando cheguei ao mercado em Rio Claro, era a quinta engenheira da cidade.
Quinta.
Não estou dizendo isso pra me glorificar. Estou dizendo porque esse número representa um contexto que moldou cada passo da minha carreira.
Precisei provar competência mais vezes que meus colegas homens. Tive que ser mais direta, mais técnica, mais persistente — não porque isso fosse necessariamente mais correto, mas porque era o custo de entrar num ambiente que não foi pensado para mim.
E mesmo tendo passado por tudo isso, eu digo com convicção: "A capacidade não tem gênero."
Não porque as dificuldades não existam. Elas existem. Mas porque a engenharia, no fundo, fala a língua da técnica. E técnica não tem sexo, cor ou origem.
Se você é mulher lendo esse email: não desista. Cada obra que você entrega, cada projeto que você assina, cada reunião em que você domina a sala — você está abrindo caminho para a próxima.
Se você é homem lendo esse email: a engenharia mais forte é a que usa todo o talento disponível. Inclusão não é concessão. É inteligência coletiva.
A engenharia de São Paulo está mudando. E eu estou aqui para garantir que essa mudança seja pra melhor para todo mundo.
Olá, [Nome].
Se você me dissesse, quando eu estava no interior de São Paulo nos anos 90, que um dia eu estaria representando centenas de milhares de engenheiros do maior estado do Brasil... eu provavelmente riria.
Não por falta de ambição. Mas porque esse não era o plano.
O plano era construir bem. Fazer um trabalho técnico sólido. Criar reputação por consistência, não por protagonismo.
Mas a vida tem uma forma engraçada de te posicionar onde você precisa estar.
Cada vez que entrei para uma associação de engenharia, aprendi algo novo sobre o que a nossa classe precisa. Cada vez que vi um colega sendo prejudicado por um sistema injusto, senti que precisava fazer mais do que reclamar. Cada vez que encontrei uma jovem engenheira com dúvida nos olhos, quis ser o exemplo que eu não tive quando comecei.
Fui construindo, sem perceber, o perfil de alguém que entende a engenharia por dentro — não pela teoria, mas pela prática. Não pelo cargo, mas pela vivência.
E quando o momento chegou, eu não recuei.
Porque a engenharia me escolheu. E eu escolhi ela de volta.
Não como favor. Como missão.
Essa missão é representar você. O engenheiro que trabalha, que estuda, que faz certo, que quer um mercado mais justo e uma profissão mais valorizada.
É isso que me move. Todo. Santo. Dia.
Semana que vem começo a falar sobre o que estamos construindo juntos. Não retórica. Ação concreta.
Não perca.
Olá, [Nome].
Antes de te pedir qualquer coisa, preciso te mostrar o que está sendo construído.
Porque compromisso sem evidência é só discurso. E você merece mais do que discurso.
Aqui está o que está acontecendo de concreto pela classe de engenharia de São Paulo:
- Capacitação acessível: o programa Crea-SP Capacita tem levado cursos gratuitos e subsidiados para profissionais que querem se atualizar sem pagar caro por isso. Porque atualização não pode ser privilégio de quem tem dinheiro.
- Espaço de trabalho real: a rede CreaLab expandiu para 36 unidades de coworking pelo estado — espaços onde o engenheiro pode trabalhar, se reunir com clientes e se conectar com outros profissionais. Porque engenheiro não pode ser invisível.
- Força feminina organizada: o Programa Mulheres impactou mais de 25.000 pessoas em 2025 com capacitação, networking e suporte. Porque a classe é mais forte quando usa todo o seu talento.
- Diálogo com o poder público: fóruns de políticas públicas que colocam engenheiros na mesma mesa que autoridades e sociedade civil. Porque não dá pra resolver problema de engenharia sem engenheiro na conversa.
Isso não é a lista completa. É só o começo.
E nada disso acontece sem a participação ativa da classe.
Na semana que vem, quero te falar sobre como você pode fazer parte disso de um jeito prático e direto.
Olá, [Nome].
Faz algumas semanas que estamos conversando.
Eu me apresentei, falei das minhas origens, dividi dores que são suas e minhas, compartilhei o que me move.
Agora é a hora de ser direta sobre o que eu preciso.
Não preciso de aplauso. Não preciso de elogio.
Preciso da sua presença ativa na profissão.
Isso significa coisas simples e poderosas ao mesmo tempo:
- Regularize o que precisar ser regularizado. ART em dia, registro em dia. Não como obrigação burocrática — como afirmação de que você valoriza o que construiu.
- Participe dos espaços da classe. Associação, fórum, capacitação. Não é perda de tempo. É investimento em rede que vai te devolver em forma de oportunidade, informação e apoio.
- Denuncie o exercício ilegal. Quando você vê um colega sendo prejudicado por quem não tem habilitação, denunciar não é delatar. É proteger a profissão que você construiu.
- Fale sobre engenharia. Nas redes sociais, no bairro, com a família. A sociedade precisa entender o que fazemos. E quem vai explicar somos nós mesmos.
Nada disso é difícil. Mas tudo isso junto transforma.
Você não precisa ser presidente de associação pra fazer diferença. Precisa só não ser indiferente.
Conta comigo. E me deixa contar com você.
Olá, [Nome].
Semana passada recebi um depoimento que não saiu da minha cabeça.
Um engenheiro civil — vou chamar de Carlos — me escreveu contando que estava perto de abandonar a profissão. Dez anos de carreira, mercado cada vez mais difícil, sentindo que ninguém entendia o que ele vivia.
Ele começou a frequentar um CreaLab próximo de onde mora. Sem grande expectativa. Só pra sair de casa e ter um espaço decente pra trabalhar.
No segundo mês, conheceu outro engenheiro que tinha passado por um problema técnico parecido com o dele e tinha encontrado uma solução elegante. Trocaram contato. Viraram parceiros em um projeto.
No terceiro mês, participou de um evento de capacitação, se atualizou em uma norma que estava gerando insegurança nos seus projetos, e fechou um contrato novo com mais confiança.
Hoje ele não fala mais em desistir. Fala em expandir.
Não foi milagre. Foi conexão.
Essa história é a razão pela qual eu insisto no valor da comunidade profissional. Não como conceito abstrato. Como ferramenta real de sobrevivência e crescimento.
O Carlos não precisava de uma palestra motivacional. Precisava encontrar quem entendesse o que ele vivia.
Talvez você também precise. Ou talvez você seja o Carlos que alguém mais está esperando encontrar.
De qualquer forma, o espaço existe. E está aberto.
Olá, [Nome].
Quando escrevi o primeiro email para você, não sabia se você abriria.
Se ficaria. Se se identificaria com o que eu tinha a dizer.
E se chegou até aqui, quero que saiba: isso significa algo pra mim.
Não porque sou famosa ou porque tenho um cargo importante. Mas porque passei as últimas semanas te contando coisas reais. Dores que são minhas e suas. Histórias de obra e de luta. Convicções que carrego há mais de 30 anos.
E você ficou.
Isso me diz que a engenharia precisa dessa conversa. Que a classe quer ser tratada com respeito e honestidade, não com comunicado formal e linguagem de ofício.
Então fica o compromisso:
Vou continuar sendo a engenheira que escreve pra você como se estivéssemos tomando um café em obra.
Sem formalidade desnecessária. Sem distância institucional. Com a verdade que a profissão merece.
E se você quiser dar um próximo passo — seja participar de um evento, visitar um CreaLab, se envolver com a sua associação regional, ou simplesmente responder esse email contando o que está vivendo — eu estou aqui.
A engenharia nos escolheu. Vamos honrar isso juntos.
P.S. — Responde esse email. Me conta: qual foi o email que mais te tocou nesses 4 meses? Quero saber.